quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Projeto CU É LINDO


O Bem Me Cuir convida à todos para tomarem parte em alguns Transcenários, que estarão expostos de 14 a 17 de setembro de 2015, de segunda à quinta de 14:00 as 18:00 na COART da UERJ. As inscrições serão feitas on-line pelo link: http://goo.gl/forms/jn398C89Tf, meramente para emissão de certificado, sendo tod@ mundo bem vindo a tomar parte, pelo tempo que quiser, em quantos Transcenários quiser.
Uma das vivências convidadas para fazer parte das Oficinas com Transcenário é:

CU É LINDO, CAPÍTULO 2: PONTO G - ROUBOS, TRAPAÇAS E PRIVATIZAÇÕES, VERSÍCULO 1: PÉROLAS - AO SE TOCAR NO CU O TODO É ALTERADO

A brincadeira é comer o outro com o requinte da fecundação de profundos valores criativos gerados na potência CUletiva, união criativa-afetiva-política. Vivência criativa, com duração de três horas, entre o abjeto e o belo, o amor e o ódio, onde o grande prato, do qual todos os convivas comem, são as aberrações e os absurdos cotidianos. Na emoção de lutar contra os roubos, as trapaças e as privatizações dos estados e manifestações da amorosidade, dos processos criativos, dos órgãos do corpo e das memórias afetivas, experimentaremos o “Yoga do Cu” como via de transformação, celebração e comunhão, tendo como fundamento a arte enquanto vida em ação. Movimentos antropofágicos CUir! 
As ostras são “pessoas não-humanas” que vivem pelos mares. Quando algum corpo estranho, como grãos de areia, vermes, pedaços de coral ou rocha, penetra no seu interior, provoca-lhe enorme incômodo por lhe machucar e provocar inflamações. Incapazes de expulsar estes invasores, elas, as ostras, constroem as pérolas. Todos nós, pessoas, humanas ou não-humanas, ao longo do estar em vida nos esbarramos com os vermes ou os grãos de areias – podem ser outras pessoas ou situações – que nos provocam afetos tristes, inflamações do coração ou tempestades de noites selvagens. Fazendo caretas impróprias de tão apaixonadas, sentado na beira do precipício de águas correntes, lembrei de mim, das ostras e de ti. Também recordei daqueles que passam como uma brisa amorosa dando sabor a nossas vidas e daqueles que passam como vermes ou pedras e machucam e arrancam pedaços tão caros, tão importantes, que nos constroem outro. Os passarinhos cantam anunciando uma outra aurora, Fênix.

Vamos construir nossas pérolas? É um convite!

Por Kleper Reis Scarambone Zé Espindola Panamby Athey Almeida Costa Vitral Cury Gilda Bugard Isis Codeço de Urubus

Esta vivência faz parte da primeira edição de Oficinas com ‘Transcenários’, de arte participativa cujo foco prioritário é criar relações, e não objetos; que convida à co-autorias, que nega a necessidade comercial da arte. Para as oficinas e os diálogos teremos a participação de quatro artistas cuja vida se mistura com sua própria arte: Indianara Sophia Fênix, Ítala Isis, Kleper Reis e Mariana Scarambone. Transcenário s questionam essas novas posições dos artistas, obra e público, questionando inevitavelmente toda binaridade e dessa forma dialogando com as temáticas cuir.

O Cartaz foi criado de modo colaborativo. O CU da foto é de Kleper Reis e quem fotografou foi Renan Reis. A Ítala Isis deu uns toques maravilhosos que acalmou o desespero do Kleper. Agora, quando o Marcelo Bugard apareceu e meteu a mão com seu topete de designer... O Cartaz ficou assim como vocês podem ver, lindo!!!




.

CU É LINDO

  







.

quarta-feira, 25 de março de 2015

CU É AMOR





Vamos falar de afetos e da força das paixões

Vou botar o Cu na dança
Movimentos oblíquos e espiralados
Ficamos extasiados com esta gigantesca roda da sorte
O Cu cavalga amoroso
Desbravador de prados, florestas azuis e cidades asfaltadas 
Da a pinta nos muros e paredes e mergulha no ventre da "humanidade"
pulsa e como pulsa
explode dez mil vezes e fertiliza o amanhecer

CU É LINDO voa sereno por todos os cantos
"para elx a moda não é tudo e a guerra não dúvida o dia de amanhã"
CU É AMOR corre amoroso se perguntando de onde vem tanto afeto,
o Cu do mundo roçando no meu.

Batucada louca e desvairada! 
Cânticos libertários que exaltam as memórias guerreiras que jamais poderão ser esquecidas.
E quem sabe um dia ele cague um amor para você!


Foto e arte: Kleper Reis
Paredes da CASA 24|RJ
Memórias: Canto Lunar - Grupo Taracón e Renato Russo


.

domingo, 15 de março de 2015

Posso, com amorosidade, rebelar-me? ou A Insurreição do CU É LINDO

Da série CU É LINDO | 2012 até os dias atuais


Foto: Renan Reis
Criação e edição: Kleper Reis

CUração vermelho!



Esta imagem brota como resposta as violências homofóbicas. No ano de 2012, eu e mais 3 grandes amigos, fomos espancados na Lapa/RJ, e, também em 2012, eu e meu marido, fomos terrivelmente agredidos em Pedra de Guaratiba/RJ. 

São seis cravos vermelhos e foram seis corações que sangraram.

Apenas um recorte das tantas e quantas violências que ocorrem cotidianamente e que não podem ser esquecidas. 


"Memória de guerreirxs não se apaga!"

Pela livre manifestação de amar! 




.

terça-feira, 10 de março de 2015

Dança no Poste | 2011


Foto: Fernanda Libman



Foto: Mariana Santos



Foto: Thaís Morelli



Foto: Helleno de Carvalho



Dança no Poste | 2011 - Ação realizada no Ocupa Rio na ocasião da Oficina Terrorismo Anarkoqueer com Sara Panamby e Felipe Espindola

.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A Iluminação - 2012


Performance realizada no "I SIMPÓSIO DO GRUPO DE ESTUDOS DO MUSEU DE IMAGENS DO INCONSCIENTE - Símbolos da transformação e a transformação pelo símbolo" no Instituto Municipal Nise da Silveira
































Fotos: D.Peixoto

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015





Entre os roubos, as sabotagens e apropriações perversas brotam os afetos, a fecundidade criativa e os passos dos novos caminhos. As tentativas de apagar as memórias viram sementes fecundas. E digo mais: para cada tentativa de assassinato afetivo-politico-artístico brotará profundos valores criativos e a gerações de um novo tempo onde tirar proveito do outro seja ele animal, mineral ou vegetal será inexistente. As flores surgem perfumando os sonhos e as lutas contra os detratores dos processos criativos e das construções de sentidos, fraternos e coletivos. O estar em vida dança em movimentos presenteados pelos raios de Iansã, as trombetas do após-calipso e as forças de Kali. Krishna ajudou Arjuna ganhar várias armas celestes e mostro-lhe a importância de entrar na guerra. Que a força das paixões encontre seus caminhos e a intensidade brilhe na integridade dos espíritos de carne e osso até as últimas consequências. Que o atual charlatanismo e egoísmo seja extirpado de nossas comunidades criativas. Faço votos as forças do sol/lua e que os caminhos da bem-aventurança transborde na escuridão infértil instalada no Maranhão.
amoramémoxalá








.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sagração | 2012






CU É LINDO







Sagração ocorreu na Casa 24, Santa Teresa, Rio de Janeiro. Foto: Barriga Knup. Respeitamos o anonimato.

A visibilidade floresce naturalmente bela


Serie "Sentimentalidades Rupestres" - 05 de setembro de 2012



A afirmação da fecundidade na potencia da assunção do eu-corpo nu, despido dos engessamentos e repressões. O eu-corpo pulsa descoberto para os olhos vistos e famintos. A visibilidade floresce naturalmente bela. É lindo! 



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

As Noivas | 2012






Intervenção urbana realizada entre a Praça da Cruz Vermelha e os Arcos da Lapa em reação a violência homofóbica sofrida no dia 22/04/12 e a tantos outro atos de discriminação. Bloco Livre Reciclato, Museu de Colagens Urbanas, Coletivo Coiote e Bloco Pula Roleta.


sábado, 11 de agosto de 2012


Maísa Dama Da Noite e Baixo Meretrício














Performance musical realizada na festa Martechama. Criação colaborativa - Cassia Lyrio, Camila Luísa Carrello, Caio Brandão, Kleper Reis e Thadeu dos Anjos.


quinta-feira, 19 de abril de 2012


 O nascimento de meu filho

Cadernos Escondidos 03*




(...) :podia sentir os espasmos de sua virilidade juvenil me semear. Súbito fui acometido por um forte desespero... No ventre transborda a volúpia do desejo de ter um filho com ele. Uma contração toma todos os meus músculos - ato da extrema brutalidade de segurar o seu sêmen.


*Cadernos de anotações das reflexões do processo criativo da trilogia (2008).



segunda-feira, 16 de abril de 2012


CU É LAICO 
ou
A Rabada Do Senhor: porque quem nunca comeu um rabo não sabe o que está perdendo






- AI QUE LINDO... BEBÊ NÃO É A CARA DO PAI?







Fotos por Brenno de Castro


Intervenção - Sexta-feira da Paixão - Praça XV - Rio de Janeiro - 6 de abril de 2012

sábado, 14 de abril de 2012


Grafismos na URBIS




nA eSCADARIA da sANTA tERESA





nO DESEJO DE aMAR O cATUMBI







quinta-feira, 12 de abril de 2012


CU É LAICO
ou
A Rabada Do Senhor: porque quem nunca comeu um rabo não sabe o que está perdendo




Meu Cu é Laico


 

Intervenção - Sexta-feira da Paixão - Praça XV - Rio de Janeiro - 6 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012


A reinvenção do meu mito pessoal





A questão do poder desde sempre me mobilizou pelo fato de que o exercício tirânico do mais forte (a moral judaico-cristã-capitalista) atua no sentido de cercear a livre afirmação de amar utilizando-se dos mecanismos de culpa, de medo e de julgamento para nos manter sob sua dependência.

O falo branco ereto fincado na areia a céu aberto, traz muitas camadas de leitura. Uma delas refere à simbologia da carta do diabo[1], da energia criativa; outra, reporta à cruz de cabeça para baixo – energia de escárnio e rejeição às morais radicais religiosas; e ainda uma terceira camada alude à imagem simbólica do meu mito da criação.


A dramatugia “Em nome do pai e do filho e do espírito santo, amém!”, representa o trânsito de uma crença dogmática para uma crença na metamorfose dos aforismos subjetivos, tornada visível pela simbologia do incesto[2] utilizada.

A transformação é um gosto sentido dia à dia. O passar do tempo foi desvelando outro modo de estar no mundo. Um forte movimento que explode os limites do absurdo cotidiano ordenado. É o ato sublime de “renascer em si mesmo” através da imagem simbólica do pai deflorando o filho com o falo branco numa grande cama de areia a céu aberto.

Renascido coloco o “eu-corpo” no mundo livre para quem ainda vier a me amar. Assim como celebro a fertilidade intensa, a vitalidade explosiva e a riqueza múltipla de um amor por tudo aquilo que habita o universo.

Através de suas simbologias, Incômodos faz uma ode à vitalidade explosiva, à fecundidade, à regeneração, à colheita dos frutos e ao aleitamento que se opõem radicalmente à castração, à posse, à dominação e à figura inibidora. Com tudo isso, mas sem guerra, intentamos ser uma infantaria amorosa para oferecer resistência a essa moral judaico-cristã-capitalista que, desencorajando os esforços de libertação, nos priva e impõe limites e esterilidades com o desejo de nos manter sob sua dependência. Portanto, é um libelo em favor do amor, da livre afirmação de amar, de não temer a vida e a vontade abafada de despertar o que temos de melhor a oferecer, ou seja, ARTE, AMOR e SUBVERSÃO.





[1] Gerd Ziegler, no livro Tarô: espelho da alma: manual para o tarô de Aleister crowley, diz: “O Diabo é mais uma daquelas cartas que com freqüência são erroneamente compreendidas. Para entendê-la é preciso libertar-se de todas as idéias morais e supersticiosas comuns. / O diabo é representado pelo deus Pã, na forma de um bode-montanhês branco com grandes chifres retorcidos. A coluna atrás dele simboliza o pênis ereto, os dois globos abaixo simbolizam os testículos. Esta é uma representação da energia criativa em seu aspecto mais material e másculo. / Nos globos, como células de esperma, estão quatro corpos femininos e quatro corpos masculinos, que são os portadores do novo.” ZIEGLER, Gerd. Tarô: espelho da alma: manual para o tarô de Aleister crowley. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 57.

[2] Definição de incesto encontrada no dicionário de símbolos por Juan-Eduardo Cirlot: “Enquanto que as uniões de matérias parecidas são símbolos do incesto, como por exemplo, na música, a idéia de um concerto para harpa e piano; o próprio incesto, por sua vez, segundo Jung, simboliza o desejo de união com a essência de si próprio, quer dizer, a individuação. Por este motivo os deuses das mitologias costumam gerar com grande freqüência por meio do incesto”. CIRLOT, Juan-Eduardo. Dicionário de símbolos. Tradução de Rubens Eduardo Ferreira Frias. São Paulo: centauro, 1999, p. 313.


Dramaturgia


Em nome do pai, do filho e do espírito santo, amém! 


Papai me deflora todo dia
Deflora porque pode
Deflora porque é pai 

Vou contar porque vocês não me conhecem. 

Papai chega todo dia e abre a porta do meu quarto bem devagarzinho e quando ele fecha a porta ele diz assim: 

põe a mão na cama e arrebita esse bumbum! 

E quando papai vem e enfia aquela pomba grande e grossa toda dentro de mim
 ele pede que eu grite: 

- deflora papai 
- deflora papai 

E eu grito: 

deflora papai! 
deflora papai! 
papai me deflora todo dia!
todo dia! 
papai me deflora todo dia!
todo dia!
todo dia! 

Vou contar por que você não me conhece. 

Esse é papai



E papai de vez em quando traz vovô 
E quando papai fecha a porta do meu quarto ele diz assim: 

- fica de quatro na cama. 

E eu fico 

Então papai vem e enfia a pomba em mim enquanto vovô vem e coloca aquela pombona toda grande e grossa na minha boca. 

Dentro de mim eu só penso numa coisa: 

Ai meu deus! 
Ai meu deus! 

Papai me deflora todo dia, 
todo dia, 
todo dia. 
Papai me deflora todo dia. 

Me empresta sua calcinha? 
Me empresta sua vagina? 

Eu vou te falar porque você não me conhece. 

Cadê minha cueca? 
Eu empresto o meu pênis!





sexta-feira, 30 de março de 2012


Maísa Dama Da Noite: o nascimento do meu filho















A sensação está apenas começando, muito terna e afetuosa. Uma mistura de álcool, tabaco e aquele cheiro ilícito de caminhos para a própria perdição dos sentidos e das coações rupestres sociais. Uma cadela no cio prestes a parir, Maisa Dama Da Noite, aparece na noite. Assim inicia a sua saga de provocações afetivas e imorais que se desdobram ao longo de toda a festa. Provoca os encontros, joga-se nos braços dos “outr@s” em busca de saciar o apetite do seu sexo-coração. Deste modo, busca os seus machos e fêmeas na excitação da violência de qualquer afeto ou mesmo paixão. Assanhada e desprovida de qualquer pudor, naquela madrugada onde tudo acontece, no meio da noite, dá a luz ao seu filho. Agora mãe, põe sua teta no mundo realizando o sonho da amamentação. Alimenta seu filho enquanto o apresenta para aqueles que partilham de sua existência. Ainda assim, na volúpia de seu explosivo cio, entrega o seu filho nos braços de um alguém, buscando, deste modo, assegurar que suas predestinações aconteçam. Volta a doar sua “buceta” para a existência até o fim da escuridão.



Maísa Dama Da Noite, uma cadela no cio, desesperada a procura de suas legiões de machos e prestes a parir o seu filho.



A ação cênica Maisa Dama da Noite: o nascimento do meu filho teve duas aparições públicas. Ambas ocorreram junto com a banda Solange Tô aberta! na ocasião da festa Tô Aberta's Party!. A primeira foi realizada no dia 11 de setembro de 2008, no Sal & Pimenta e a segunda 09 de outubro do mesmo ano, na Fosfobox bar club. Essa manifestação ocorreu durante todo o período da festa.



...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Me Ama?







Véu


Aquilo que se revela velando-se, 
aquilo que se vela revelando-se.


Poderia ver sem ser visto,
ao mesmo tempo que cubro as vergonhas. 
Aquele que ao mesmo tempo esconde... 
Aquele que ao mesmo tempo revela... 
Convida ao conhecimento, o oculto pela metade. 
Não há encoberto que não venha a ser descoberto. 
Hoje tua vista poderá ser penetrante. 
Retira o teu véu? 
Não o que oculta, mas, ao contrario, 
o que permite ver. 


Aquilo que se revela velando-se, 
aquilo que se vela revelando-se.









"Me Ama?” é uma ação cênica que expõe um conflito do exercício do erótico na vida social. Através da construção de uma imagem simbólica em movimento esta ação evidencia uma realidade composta de duas substâncias independentes e incompatíveis – o eu-corpo[1] em movimento transborda as tensões do encontro entre as suas sensações e a heteronormatividade. São os véus da prisão da autoridade tradicional dominante diante das forças do sujeito singular. Nesse sentido, desvela que por mais que o eu-desejo esteja suprimido por uma vida social atravessada por proibições morais e por padronizações e controles do comportamento, o eu-corpo se percebe desejando porque é escolhido pelo eu-desejo. “Me Ama?” intenta levar ao paroxismo aquilo que se quer livrar de si: a supressão das proibições e dos tabus.







“Me Ama?” fez parte do processo criativo de “Incômodos: para quem ainda vier a me amar!” 






[1] A junção do eu a outras palavras tem como objetivo afirmar que somos (todos) um corpo, deste modo, se opondo radicalmente a idéia de se ter um corpo (individualmente). Portanto, desta forma, desejo reforçar o meu rompimento com as tradicionais tendências de olhar o mundo a partir do entendimento analítico de Descartes e mecanicista de Newton e revelar um forte apreço pelo olhar holístico.


.