quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Me Ama?







Véu


Aquilo que se revela velando-se, 
aquilo que se vela revelando-se.


Poderia ver sem ser visto,
ao mesmo tempo que cubro as vergonhas. 
Aquele que ao mesmo tempo esconde... 
Aquele que ao mesmo tempo revela... 
Convida ao conhecimento, o oculto pela metade. 
Não há encoberto que não venha a ser descoberto. 
Hoje tua vista poderá ser penetrante. 
Retira o teu véu? 
Não o que oculta, mas, ao contrario, 
o que permite ver. 


Aquilo que se revela velando-se, 
aquilo que se vela revelando-se.









"Me Ama?” é uma ação cênica que expõe um conflito do exercício do erótico na vida social. Através da construção de uma imagem simbólica em movimento esta ação evidencia uma realidade composta de duas substâncias independentes e incompatíveis – o eu-corpo[1] em movimento transborda as tensões do encontro entre as suas sensações e a heteronormatividade. São os véus da prisão da autoridade tradicional dominante diante das forças do sujeito singular. Nesse sentido, desvela que por mais que o eu-desejo esteja suprimido por uma vida social atravessada por proibições morais e por padronizações e controles do comportamento, o eu-corpo se percebe desejando porque é escolhido pelo eu-desejo. “Me Ama?” intenta levar ao paroxismo aquilo que se quer livrar de si: a supressão das proibições e dos tabus.







“Me Ama?” fez parte do processo criativo de “Incômodos: para quem ainda vier a me amar!” 






[1] A junção do eu a outras palavras tem como objetivo afirmar que somos (todos) um corpo, deste modo, se opondo radicalmente a idéia de se ter um corpo (individualmente). Portanto, desta forma, desejo reforçar o meu rompimento com as tradicionais tendências de olhar o mundo a partir do entendimento analítico de Descartes e mecanicista de Newton e revelar um forte apreço pelo olhar holístico.


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